por Vitor Hugo Japa

As 10 heurísticas de usabilidade de Jakob Nielsen

Conheça na prática os princípios atemporais de usabilidade que todo dev e designer deveriam saber.


Desde o início da minha jornada como designer é recorrente “pingar” os materiais da Nielsen Norman Group (NNGroup) – provavelmente os pesquisadores de maior referência em design de interação e usabilidade de todos os tempos.

Entre vídeos úteis e toda a riqueza de pesquisas que você pode desbravar no site dos caras, um dos conhecimentos adquiridos mais significativos para desenhar interfaces na minha visão, são as 10 heurísticas de design escritas por Jakob Nielsen em colaboração com Rolf Molich.

O cara é visionário e uma máquina incansável de pesquisa. Fazendo uma analogia honesta, Jakob Nielsen é o “Philip Kotler” do Design de Interação. Apesar dele ter publicado em 1995 e a tecnologia ser uma área de constate mudança, as heurísticas tratam-se de princípios atemporais da interação humano x computador.

Em uma tradução livre, compartilho com você a minha visão prática desses conceitos. Uma leitura fácil de entender e muito rica para qualquer designer e desenvolvedor de sistemas #jakobapproves

 

Visibilidade do status do sistema

O sistema deve sempre manter os usuários informados sobre o que está acontecendo, através de feedback adequado dentro de um prazo razoável.

Isso significa que você como designer e desenvolvedor precisa se certificar de que a interface sempre informe ao usuário o que está acontecendo por baixo do capô.

“Download transition” por Nick Buturishvili

Combinação entre sistema e mundo real

O sistema deve falar o idioma dos usuários, com palavras, frases e conceitos familiares para o usuário, em vez de termos orientados para o sistema. Siga as convenções do mundo real, fazendo com que a informação apareça de forma natural e lógica.

Exemplo do Google Docs em que cada tipo de formatação de texto é demonstrado diretamente no menu, para que o usuário perceba mais rápido.

É comum julgarmos que os usuários entendem termos técnicos porque nós estamos cercados por essas definições diariamente. É aqui que entra a ajuda de um profissional de redação e conteúdo para traduzir aquele “tecniquês” das reuniões de produto para frases curtas, compreensíveis e diretas na interface do software.

Controle e liberdade do usuário

Os usuários geralmente escolhem as funções do sistema por engano e precisarão de uma “saída de emergência” para deixar o estado indesejado sem ter que passar por um diálogo prolongado. Ajude-o a desfazer e refazer essas ações.

Um usuário encurralado é um usuário puto da cara. Nada irrita mais do que enviar um email sem querer e não poder cancelar o envio. E aqueles instaladores de programas que o botão de cancelar não funciona? Irritante.

Item Delete & Undo Prototype por Sashoto Seeam

Consistência e padrões

Os usuários não devem ter que se perguntar se diferentes palavras, situações ou ações significam o mesmo. Siga as convenções da plataforma.

Na prática isso significa sinalizar bem os elementos visuais e reaproveitar padrões buscando familiaridade do usuário. Seja consistente com os ícones, use-os para acelerar a linha de raciocínio e reconhecimento do usuário.

O flat design, por exemplo, é criticado porque em muitas das aplicações não fica claro quando um elemento se trata de um link ou de um botão, quando um clique irá submeter dados ou recarregar a página.

Prevenção de erros

Melhor que uma boa mensagem de erro é um design cuidadoso que possa preveni-los. Elimine as condições propensas a erros ou verifique por elas e apresente aos usuários uma opção de confirmação antes de se comprometerem com a ação.

Para o usuário, eliminar dados pode ser uma ação irreversível e traumática, quando acidental. Para prevenir, exclusões em massa seguidas de confirmação são sempre uma boa pedida.

O WordPress por exemplo, possui opções de tratamento e análise do conteúdo para evitar clichês e erros de português. Um recurso valioso para prevenção não é verdade? ☺️ 👏

Enviar e-mails importantes sem corrigir ortografia também pode ser desastroso – é tarefa do UX mapear essas situações e prevenir o usuário de frustração.

 

Reconhecimento ao invés de lembrança

Minimize a carga na memória do usuário, tornando visíveis objetos, ações e opções. O usuário não deveria ter que lembrar as informações de uma parte do diálogo para outra. As instruções para o uso do sistema devem estar visíveis ou facilmente acessíveis ​​sempre que necessário.

Coisas simples como passar o mouse sobre uma ferramenta e ela mostrar o atalho que pode acioná-la e um descritivo do que ela faz, ajudam o usuário a recuperar essa informação quando necessário.

Este é um princípio do Nielsen que conflita diretamente com a prática do menu “hambúrguer” porque ele oculta as opções que o usuário deveria ter visibilidade.

O menu “hambúrguer” não é um crime mas seu uso deve ser bem pensado. Ele pode desencorajar o usuário a explorar as opções disponíveis e desestimular a navegação – principalmente quando ele está longe do dedão como no comparativo acima.

Flexibilidade e eficiência de uso

Aceleradores – não evidentes para os novatos – mas existentes para aumentar a produtividade do usuário especialista, de modo que o sistema possa atender a usuários inexperientes e experientes. Permita que os usuários adaptem as ações freqüentes.

Em uma interpretação livre, o sistema precisa ser fácil para usuários leigos, mas flexível o bastante para se tornar ágil para usuários avançados. Exemplos disso são teclas de atalho e uso de “tab index” em formulários.

O Google Forms é um excelente exemplo de produtividade. Ele detecta o tipo de campo com base na pergunta tornando a experiência de criação de formulários muito fácil e veloz.

 

Design estético e minimalista

Os diálogos não devem conter informações que sejam irrelevantes ou raramente necessárias. Toda unidade extra de informação num diálogo compete com as unidades de informação relevantes e diminui a sua visibilidade relativa.

Certa vez assumi um projeto em andamento que a equipe estava com boa vontade, adicionando diálogos para ajudar os usuários. O problema é que os diálogos eram excessivamente instrutivos e demandavam pouco mais de um minuto para serem lidos. Então a dica do Nielsen aqui é: seja objetivo.

 

Ajude os usuários a reconhecer, diagnosticar e solucionar erros

As mensagens de erro devem ser expressas em linguagem simples, sem códigos, indicando com precisão o problema e sugerindo de forma construtiva uma solução.

Quem nunca usou o diagnóstico de rede não é verdade? Softwares para ajudar o usuário a resolver problemas comuns economizam uma grana preta de suporte.

A função enviar para o Trello, pede que você arraste o link. Se você clicar ele vai aumentando o texto “Drag” até o usuário perceber que está fazendo cagada sem ter lido a instrução – O texto é hilário. 😅

 

Ajuda e documentação

Mesmo que o sistema seja intuitivo e fácil de usar sem manual, pode ser necessário fornecer ajuda e documentação. Qualquer informação desse tipo deve ser fácil de pesquisar, focada na tarefa do usuário, listar etapas práticas para realizar e não ser muito complexo.

Caprichar numa FAQ e fomentar uma comunidade de suporte entre os usuários do seu produto é uma forma de alcançar isso.

A área de suporte dos softwares da Apple vale um estudo. É muito instrutiva ensinando usuários desde o setup de produtos até o diagnóstico e solução de problemas tanto em novos quanto produtos antigos e descontinuados.

Você também pode estruturar o seu conhecimento técnico do projeto como a Atlassian fez no Atlassian.design criando guias de como as pessoas da sua empresa podem colaborar para o suporte e continuidade do trabalho de design.

Fontes:
10 Usability Heuristics for User Interface Design
Why and How to Avoid Hamburger Menus
Flat UI Elements Attract Less Attention and Cause Uncertainty


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